"Vermelho Paixão"

“Das palavras, as mais simples. Das simples, a menor.” Winston Churchill

Diário
16/01/2009 12h11
O Gambá de Estimação - Verídica.
Gambá de Estimação
Verídica




Enquanto penso no quê escrever, sobre essa minha 'maravilhosa vida pacata' à beira mar, olho um jovem gambá através do vidro da janela em frente, saindo de sua fofa caminha de caixa de leite, entre  a veneziana e a vidraça para o desjejum matinal.




Ele acorda e vem espiar como a perguntar sobre o "quê escreveremos hoje?" Daí se espreguissa e vai se fartar com água fresca e ração de gatos. Ah! e pedacinhos de frutas, que ele leva pra comer sentado em sua cama!

E ele é bom de garfo! Olhe só!



Óbvio que nem se incomoda com o gato que dorme ao lado do computador.  Penso que ele já sabe que pode confiar nos membros dessa casa.




  Aliás, ele ignora gatos. Lhe parece seres muito insignificantes. Quando sente frio, entra e se aninha numa poltrona entre os gatos, que ficam pasmos com sua audácia! 

  Ele chegou aqui de uma forma que só o amor explica. Andou por entre pedras à beira mar, atravessou a rua, escalou um muro de três metros, passou por um quintal muito bem guardado por cães, mais uma escalada na trepadeira que cobre a janela de onde trabalho e... chegou até o chamado que, ele julgou, que o salvou. Isto tudo com doze centímetros!

  Passeavam sobre o dorso de sua mamãe sobre esse muro coberto de heras, achei lindo! vi que ela desceu para a praia pra se alimentar com o que o mar oferece.
  Acontece que não contava com um enorme cão à espreita.
Bem foi atacada por ele e sobraram os filhotes que se esconderam rápido entre as pedras.
  Desci até lá, tentei salvá-los chamando docemente, pois agora não teriam ninguém por eles e o mar começava a subir! Escondiam-se cada vez mais. Com água já alta desisti.
  Mas chamava ainda da minha janela, no outro dia, quando, por entre a trepadeira de Tumbérgias, apareceu... um pequeno e assustado gambazinho! escondeu-se atrás do vidro da janela e tanto gostou que está ali há mais de dois meses!
Apresento-lhes...  Vítor!





Assim ele passa boa parte do dia, espiando enquanto escrevo contos, poemas e ouvindo música comigo.  Sente-se seguro, feliz e... vive solto, estar aqui é uma opção dele. O que, aliás, adoro!

 - Olá, Vitor! Sínta-se  em casa! Amamos você!




Por Elïscha Dewes
16/01/09 - RJ









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Publicado por Elischa Dewes em 16/01/2009 às 12h11
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (http://www.elischadewes.prosaeverso.net/). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
18/06/2008 15h41
Do lado de cima do Inverno

 

 

Do lado de cima do Inverno

Acordo no meio da noite com o nariz gelado e não consigo  mover o braço que estava fora do cobertor. E nem entrou oficialmente o Inverno!
É, gaúcho sofre!  corro ao baú em busca de outro cobertor e mais rápido ainda volto pra cama. O vento feroz uiva  nas janelas! Enfim, cansada, adormeço. Lembro de ter tido alguns sonhos gélidos...
Com o amanhecer veio a luminosidade e esperança de sol. E também a hora de sair da quentinha da cama! Entro no banheiro e ficamos nos olhando o chuveiro e eu. Venço seu riso desafiador e o enfrento! 
Logo me  visto a rigor pra enfrentar o dia lá fora!  arg!
Desço do prédio e vejo pela rua uma confusão de guarda-chuvas e sombrinhas coloridas pra todo lado... lembra um quadro de Lautrec!
Abano a cabeça rindo da cena e entro na correnteza conformada, afinal, sou gaúcha. Já me acostumei a isso!
 O vento açoita a chuva que molha minhas botas vermelhas e parte da roupa. A sombrinha chinesa, também vermelha, dobra ao contrário enquanto driblo os passantes e corro de alguns carros. Aborrecida, a jogo no primeiro cesto  de lixo que encontro!
Enfim, completamente molhada de chuva, cabelos colados no rosto, consigo chegar à av. Santa Clara e a atravessar em direção a Av. Atlântica!
É !  Estou em  Copacabana !

Elïscha Dewes





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Publicado por Elischa Dewes em 18/06/2008 às 15h41
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14/05/2008 11h59
Viagem de Maio ao Sul
          Férias de Maio, 
bem fora de época, não é? é. Mas é quando alguém que mora no Rio de Janeiro pensa que pode dar uma chegada ao Pampa Gaúcho sem pegar seu rigoroso inverno! Pensa, pois foi só chegar lá pra correr à primeira loja de lãs e escolher o casaco mais fofo e quentinho! De um belo couro todo forrado com grossa lã de ovelhas.
          Daí lembra que este casaco não combina com a sandália fininha com que pulou da praia para o carro, rumo ao aeroporto e ao sul! Então, entra na sortida loja de botas. 
E daí é um paraiso de botas de todo tipo: forradas com lã, com ziper, sem ziper, cano alto, cano baixo, salto alto, salto baixo... deste e daquele tom. Uma mais charmosa que a outra!
         Se compra uns três pares depois de experimentar meia loja!Já sai calçada no pé! agora, ficou perfeito!
         Hora do almoço. E no restaurante te olham com o fofo casaco e as botas. Mas se fixam na pequena saia que vc usava para ir à praia antes de saltar para o carro e seguir... bem. Já sabem!
         Mal termina o almoço e se parte para a loja de roupas. Umas três calças de lã, mais uns cachecóis iguais aos das garotas lindas que perambulam pelo shoping! Porque essas gaúchas são tão lindas?!
         Olha, posso parecer indelicada, mas fico pasma olhando a beleza desse povo! Olho mesmo! nos restaurantes, na rua, no aeroporto... onde estiverem, são belos! até um carroceiro que andava ao lado de nosso carro, na lentidão do trânsito de Porto Alegre, ele podia ser um galã de novelas!
         Bem, tudo foi perfeito! Cada lugar uma lembrança e uma bela novidade! Os amigos e parentes parecem não envelhecer, ao contrário: estão mais lindos que nunca!!!
         E assim se foi, sempre bem agasalhado e comprando mais novidades quentinhas! 
         Hora de voltar. Sol nascendo tímido por trás da temperatura fria. Nove graus. Os passageiros bem aconchegados na sala de embarque, espiando os aviões lá fora, enquanto alguns  tomavam um chocolate quente, eu, bem abrigada com toda aquela roupa gostosa, quente e fofa, olhava aquele povo lindo e elegante...
         Hora do embarque. O voo  perfeito, como sempre: revoo de quero-queros logo antes da partida, o sorriso falso das comissárias de bordo, a cidade ficando cada vez mais pequena, e logo atravessávamos as nuvens rumo ao calor do Rio!
         Depois do lanchinho à bordo, logo comecei a ver o azulado mar do sudeste. Mais uns minutos e a aeronave embicou numa curva até acentuada demais pra meu gosto, por cima da Marambaia e entrou em solo fluminense justo sobre onde moro! Ah! Mangaratiba! Vi lá de cima nossa cidade, suas praias brancas e suas ilhas! o encanto do Sol à pino no mar verde azulado salpicado de veleiros e lanchas! logo estavámos pousando no Aeroporto Tom Jobim!
          Feliz, cheguei ao meu Rio! Tudo bem, o povo não é, sinto muito, não é tão lindo quanto os gaúchos, mas eu estava chegando na terra do calor! Não só na temperatura do ar, mas na temperatura do coração carinhoso do povo carioca! Que povo mais doce, alegre e gentil! Que terra de belezas incontáveis! que paisagem! tanto do alto quanto em terra! Pousamos. Saimos rumo ao litoral Sul. Antes, paramos num belo restaurante da acalorada praia pro almoço.
          Feliz, percebi que agora eu é que estava sendo olhada! Bem, pensei com orgulho, é que... sou gaúcha!
          Mas...  lembrei, o comandante dissera que a temperatura era de 27 graus e meio...? Bem ele devia estar enganado!! ou seria toda minha roupa fofa de couro e lã grossa e aquelas botas e cachecol que me passavam a ideia de bem mais de 40 graus?
          É, só então entendi porque eu estava sendo TÂO olhada....

Elïscha Dewes


                                                                                               



Publicado por Elischa Dewes em 14/05/2008 às 11h59
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Página atualizada em 18.03.10 21:06